4.11.2013

Milionários americanos vão pagar mais impostos



A Casa Branca propôs nesta quarta-feira,10, um orçamento que reduz o défice dos Estados Unidos ao longo de três anos ao forçar os milionários a pagarem mais em impostos e decretando cortes de gastos que substituem as reduções que entraram em vigor no mês passado.

O plano de orçamento fiscal de 2014 do presidente Barack Obama garante que aqueles que ganham 1 milhão de dólares por ano ou mais terão que pagar em impostos no mínimo 30 por cento da sua receita, após doações à caridade, afirmaram autoridades.

Esse aumento, junto com cortes de gastos e um teto de 28 por cento sobre deduções tributárias para quem tem altos salários, diminuirá o défice orçamental dos EUA para 2,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, disseram autoridades da administração a repórteres.

O Escritório de Orçamento do Congresso projectou em fevereiro que o déficie dos Estados Unidos será de 5,3 por cento do PIB neste ano. Obama divulgou o orçamento completo ainda hoje.

O orçamento do presidente tem pouca chance de ser transformado em lei. Entretanto, autoridades da administração afirmaram que, apesar da resistência dos líderes republicanos aos aumentos de impostos, elas esperam que isso possa levar a um acordo de redução de défice.

“Continua a haver pessoas que estão do lado republicano... no Senado pelo menos, que estão a dizer coisas que podem dar alguma esperança de que há um caminho para um acordo”, disse uma autoridade sénior da administração a repórteres.

O presidente está quebrando a tradição de usar a divulgação amplamente simbólica do Orçamento para delinear suas propostas de gastos e impostos ideais. Em vez disso, ele está tentando retomar as discussões para resolver uma batalha fiscal de longa data com seus adversários no Capitólio.

China lidera sentenças de morte no mundo



A Amnistia Internacional (AI) divulgou o ranking de nações que mais executaram em 2012

Em 2012, pelo menos 682 pessoas foram submetidas a pena de morte em 21 países, duas a mais do que o registrado em 2011. Entre as nações que mais executaram estão China, Irã, Iraque, Arábia Saudita, Estados Unidos e Iémen.
 
Os dados aparecem no relatório da Amnistia Internacional sobre sentença de morte e execução, lançado nesta quarta-feira, 10. Apesar da pequena variação, a entidade aponta avanços em direcção ao fim dessa condenação — em 2003, eram 28 países com pena capital.
O índice de 682 mortes, porém, está subestimado, porque países como a China dificultam o acesso aos dados. Levantamento da Amnistia aponta que o país matou mais do que o resto do mundo. Segundo o documento, 99% de todas as execuções do Oriente Médio aconteceram no Irã, Iraque, Iêmen e na Arábia Saudita.
No caso do Iraque, o índice de mortes passou de 68, em 2011, para 129. Um grande retrocesso, para a Amnistia, foi a retomada das execuções em países como Índia, Japão, Paquistão e Gâmbia.

DEMOCRACIA E MORTE

Para Maurício Santoro, assessor de Direitos Humanos da entidade, os Estados Unidos e o Japão chamam atenção na lista, por serem os únicos países ricos e democráticos. “A principal causa de execução é o tráfico de drogas mas, na Arábia Saudita, há casos de pessoas executadas sob acusação de feitiçaria”, aponta. 
Segundo ele, em países do Oriente Médio e na China, acusados encontram dificuldade para contestar decisões dos tribunais. “No Iraque, há condenados por crimes não cometidos, por causa de manipulação política”, ressalta.

Avanços contra a punição

Avanços foram detectados em Letônia, Benin e Mongólia, que aboliram a pena de morte ano passado. Por outro lado, a Serra Leoa perdoou todos os presos que estavam no corredor da morte.
Entetanto, o Vietnã e a Singapura suspenderam as execuções. Segundo Maurício, quando a entidade iniciou campanha de conscientização, em 1977, 16 países não aplicavam pena capital. Hoje, são 140. “Apenas 10% dos países realiza pena de morte”.
Dois brasileiros estão no corredor da morte na Indonésia, acusados de tráfico de drogas. “O Brasil tem sido activo no combate a este tipo de sentença”, frisou.

1.29.2013

Trabalhadores da TCUL em greve

Pelos menos, um número incalculável de trabalhadores, entre motoristas, cobradores e empregados de limpeza da empresa Transporte Colectivo Urbano de Luanda (TCUL), estão em greve desde as primeiras horas de hoje.
Fonte: uakidi.com
Os trabalhadores prometem regressar nas actividades laborais após verem resolvidas as exigências constantes no caderno reivindicativo apresentado à direcção da TCUL o ano passado.
No referido caderno apresentado à direcção da empresa, os funcionários exigem o reajuste salarial, a melhoria na dieta alimentar, bem como o ingresso na função pública, pois de acordo com os mesmos, há funcionários na TCUL que auferem 15 mil Kwanzas e outros 20 mil respectivamente.

Há motoristas que baixam de categoria e ganham 35 mil kwanzas, enquanto outros estão a vencer 55 mil Kwanzas. Para nós, isto não é justo senhor jornalista”, contou um dos participantes da greve.
A greve é ilegal”
Para constatar a veracidade dos factos, a Uakidi.com contactou Jesus dos Santos, director do gabinete de comunicação e imagem da TCUL, e, o mesmo confirmou a paralisação de diversos trabalhos na referida empresa, tendo ao mesmo tempo considerado a greve de ilegal.
De acordo o Jesus dos Santos, os funcionários não cumpriram com as metas traçadas durante as negociações.
Alguns trabalhadores paralisaram os trabalhos, mas não a empresa no seu todo. O que se passa é que alguns funcionários pensaram que não estavam a ser ouvidas as suas reivindicações,  apresentadas há já algum tempo e que neste momento estão a ser discutidas pela comissão sindical. O MAPESS, a comissão sindical e a direcção da empresa estão a negociar desde a semana passada”, frisou, o porta-voz, acrescentando que os trabalhadores violaram o aviso do sindicato que os orientava a não paralisar as actividades antes do término das negociações.
A TCUL é uma empresa que conta com mais de 2 mil trabalhadores e existe há mais de 24 anos.
Eles deviam fazer como os outros que continuam a trabalhar, se bem que admitímos ainda que o número dos que paralisaram seja enorme”, confirmou Jesus dos Santos.

9.12.2012

Deputado do MPLA e General Fantasma

Os antigos combatentes da província da Huíla continuam a manifestar o seu descontentamento pela forma como o mais alto comando das Forças Armadas Angolanas (FAA) tem promovido algumas figuras locais, entre empresários e políticos, ao generalato.

Fonte: MaKa Angola

Uma dessas figuras é o actual deputado e primeiro secretário do MPLA na Huíla, João Marcelino Tyipinge. O referido político está inscrito na Caixa Social das FAA, com a patente de tenente-general, recebendo um subsídio equivalente a cerca de US $3,000 mensais. Como deputado, João Marcelino Tyipinge aufere o equivalente a US $15,000 mensais, incluindo subsídios.

“Nunca vi o Tyipinge a envergar a farda das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Eu e ele lutámos pelo exército português e, depois da independência, trabalhámos juntos na alfabetização, na secção de ensino de adultos na escola do partido [MPLA]”, confidenciou um antigo colega seu sob anonimato.

O perfil do deputado, no sítio da Assembleia Nacional, não inclui qualquer passagem pelo exército, português ou angolano. Os dados biográficos do deputado indicam que, de 1972 a 1986, foi “funcionário público do Ministério da Educação”; de 1982 a 1986, “quadro do partido na Huíla” e, desde então, secretário nas mais diversas funções, no secretariado do MPLA na Huíla.

O presidente do Fórum Independente dos Desmobilizados de Guerra, coronel Nunes Manuel, disse ao Maka Angola ter conhecimento sobre a promoção partidária de João Marcelino Tyipinge ao grau de tenente-general. “Esse facto deixa muitos companheiros nossos entristecidos pois muitos deram a vida à causa do país e não são valorizados. É muito triste”, disse o coronel na reserva.

Por sua vez, o empresário e membro do Comité Central do MPLA, Tulumba Kaposse, ostenta a patente de coronel sem ter cumprido serviço militar, com direito a pagamento mensal pela Caixa Social das FAA. Em 2008, os militantes do MPLA chumbaram a sua candidatura ao Comité Central, assim como a do empresário e tenente-general fantasma Luís da Fonseca Nunes. No entanto, ambos acabaram por ascender aos altos escalões do MPLA por via do tráfico de influências em Luanda.

 

9.11.2012

Morro a cheirar um jornal - Aguiar dos Santos

Luanda - O Agora comemorou, no pretérito dia 17 de Janeiro, faz hoje uma semana, 12 anos de vida. Como soe dizer-se não é pouca tripa, para mais no contexto adverso em que surgimos. Sou um homem da comunicação social, concretamente da imprensa, de jornais, independentemente da sua periodicidade.

Fonte: Jornal Agora


Por não se dever cuspir no prato onde já tomámos a sopa, confesso que a minha escola jornalística foi a Angop onde me guindei a chefe da divisão nacional, responsável, digamos assim, pela política do país
Na Angop emprestei o meu saber - ai que saudades do grupo da Jugoslávia - e experiência na formação de jovens da época, assumindo posteriormente a minha trajectória profissional outros rumos e destinos.
Nesta minha vida feita de boemias e de (des)caminhos ínvios e padrastos, de andarilho por vezes sem destino, o jornalismo tinha, necessariamente, de se atravessar na minha vida.
Deste modo, acabei por liderar um projecto que pariu a 17 de Janeiro de 1997, o semanário AGORA. 12 anos volvidos a odisseia valeu a pena. Modéstia à parte e por mérito próprio o nosso nome já não se pode apagar da imprensa privada surgida depois da abertura democrática encetada a partir de 1991. Foram (são) 12 anos de muita labuta, porrada, sacrifício e coragem. Mas valeu a pena. Por isso mesmo gostaria de morrer num dia em que o AGORA já estivesse impresso e ser enterrado com o cheiro da tinta do jornal nos meus beiços.
Esta prosa avulsa, inusitada e existencial nada tem a ver com o canto antecipado do cisne. Mas não sei se é sina ou destino, se é que ele existe, presumo, persinto, que a minha urna estará coberta de papel impresso com o cheiro da tinta de impressão de um jornal!
*Texto publicado a 24 de Janeiro de 2009. Em homenagem, à título póstumo, a Aguiar dos Santos cujo corpo repousa, desde ontem, no cemitério do Altos das Cruzes, em Luanda.

“Tivemos mais votos do que os anunciados pela CNE” - CASA-CE

O vice – presidente da CASA-CE, Alexandre Sebastião André disse ontem, em Luanda que a sua organização conseguiu mais votos do que os anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Lac

“Nós trabalharmos e pelos nossos cálculos, nós CASA-CE, conseguimos mais do que aqueles anunciados”, disse o político.
Em entrevista à Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), Alexandre Sebastião André fez saber que CASA – CE é coligação composta por formações políticas credíveis e com muitos militantes.
“Deixa-me só dizer que antes da apresentação formal, a CASA-CE já tinha meio caminho andado. Portanto, não é o que muitos dizem que a CASA – CE só tem 2 meses, isto é falso”, disse.
Recorde-se que segundo partido mais votado foi a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que elegeu 32 deputados, seguindo-se a Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) com oito deputados, o Partido da Renovação Social com três e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) com os restantes dois.

Samakuva pronuncia-se sobre o pleito de 31 de Agosto último

O presidente da UNITA Isaías Samakuva vai esta Terça-feira, 11/09, em Luanda fazer um pronunciamento, dando conta do seu posicionamento sobre as eleições gerais de 31 de Agosto último.

Fonte: Rádio Despertar
Segundo à Rádio “Despertar”, emissora afecta a UNITA, Isaías Samakuva no pronunciamento oficial, o líder do “Galo Negro” apresentará também os números de votos contabilizados pela UNITA, em paralelo aos resultados publicados pela CNE, na sexta-feira (dia sete).

De acordo com os dados definitivos divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral, a UNITA classificou-se na segunda posição com 1.074.565, o equivalente a 18,66 porcento dos votos validados, o que lhe mereceu constituir um grupo parlamentar de 32 deputados.

9.07.2012

O principal adversário da UNITA é a sua direcção- Féliz Abias

Eu me explico. Desde o primeiro congresso – pós guerra - que as coisas não correm bem entre os que ganham e os que perdem, o que demonstra falta de um líder capaz de congregar várias franjas ou alas.

Fonte: Fecebook

A UNITA até teve a sorte de produzir um Abel Chivukuvuku que, quanto a mim, é o mais carismático líder que existe na nossa oposição, uma espécie rara, infelizmente para a UNITA, não houve capacidade para aconselha-lo porque parece também que falta um pouco de humildade (porque não somos humildes) por parte das pessoas de dizerem que o fulano ou sicrano reúne mais consenso e deve avançar como cabeça de lista. O estômago continua ainda a falar mais alto. E, indo ao debate proposto pelo kota Celso Malavolonek, devo dizer que com Abel Chivukuvuku como cabeça de lista da UNITA, teríamos de facto uma UNITA mais próxima do nível do MPLA, o que deixaria mesmo dúvida em relação ao desfecho das eleições, e não o que aconteceu, onde todos nós, pelo menos os apartidários, já sabíamos que o maioritário iria dar goleada, apesar da ajuda de que beneficiou dos órgãos como TPA, RNA e Jornal de Angola, das igrejas, dos empresários, enfim, de quase todos que têm capacidade de influenciar as massas.


Félix Abias

Jornalista do semanário Angolense.

9.05.2012

Oposição lidera controlo das eleições gerais em Luanda

Lunada - Na maior praça eleitoral do país, o partido maioritário teve baixa no controlo das eleições por parte dos delegados de listas credenciados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Mugimbu Angola

Num total de 22.470 delegados de listas credenciados para a fiscalização do processo eleitoral de 31 de Agosto último, em Luanda, 12.466 foram da oposição.
O partido maioritário teve na sua cota parte um total de 10.004 delegados distribuídos nos vários municípios, distritos, bairros e escolas selecionadas para local de voto.
A diferença que separa o partido no poder em relação a oposição é de 2.462, o que indica que para a cidade capital os controlo do processo foi maior.
“Não haverá dúvidas que os valores que a oposição alega existir nas suas actas eleitorais podem ser justificativos, de acordo a grade participação destes delegados nas assembleias de voto”, frisou um delegado de lista, Luciano Rafael acrescentando que “na minha modesta opinião e como não podia deixar de ser, deveria haver mais transparência por parte da CNE nos resultados apresentados até ao momento para a província de Luanda”.
Por exemplo, no Cazenga, Cacuaco e Viana, as formações como a UNITA e a CASA-CE estavam bem representados em quase todas as assembleias de votos, ao contrário das famosas assembleias fantasmas que terão existido simplesmente da responsabilidade de quem está habituado a liderar as maiorias esmagadoras.
Os angolanos foram completamente surpreendido quando os números de votos para Luanda não correspondiam aquilo que consideramos em política, como equilíbrio parlamentar, pois vimos, com os nossos próprios olhos, os cidadãos da cidade capital a serem um pouco mais conscientes em relação o ano de 2008, que estava ainda fora da realidade da governação do MPLA.
 

9.04.2012

O ditador-diplomata de África

                                                       
Lisboa-A morte recente em Bruxelas do primeiro-ministro etíope Meles Zenawi trouxe finalmente a lume a razão do seu misterioso desaparecimento da vida pública durante dois meses. O governo da Etiópia negara exaustivamente rumores de problemas sérios de saúde causados por cancro do fígado. Agora que o pior, infelizmente, se verificou, a Etiópia e toda a África Oriental precisarão de aprender a viver sem a influência estabilizadora do seu grande ditador-diplomata.

Fonte: O Publico.pt

Meles foi certamente as duas coisas. A Etiópia sofreu uma transformação notável sob a sua liderança forte desde 1991, quanto o seu grupo de minoria tigré do norte do país chegou ao poder depois de derrubar o odioso Derg comunista liderado por Mengistu Haile Mariam (ainda confortavelmente aposentado no Zimbabwe de Robert Mugabe).

Servindo inicialmente como presidente do primeiro governo pós-Derg, e depois como primeiro-ministro da Etiópia de 1995 até à sua morte, Meles (o seu nom de guerre na revolução) supervisionou um crescimento anual do PIB de 7,7% em anos recentes. O bom desempenho económico é algo surpreendente, dada a abordagem politicamente intervencionista do seu partido, mas Meles mostrou ser um pragmatista consumado quanto à atracção de investimento – especialmente proveniente da China – para sustentar o crescimento.

A própria proveniência política de Meles enquanto líder da Frente de Libertação do Povo do Tigré era marxista-leninista. Mas, quando a Guerra Fria terminou, assim, também, aconteceu ao seu dogmatismo. Honra lhe seja feita, a mortalidade infantil foi reduzida em 40% sob o seu governo; a economia da Etiópia tornou-se mais diversificada, com novas indústrias como fabrico de automóveis, bebidas e floricultura; e importantes projectos de infra-estruturas, como a maior barragem hidroeléctrica de África, foram lançados. Outrora um caso perdido associado aos olhos do mundo apenas com fome e seca, a Etiópia tornou-se uma das maiores economias de África – e sem o benefício do ouro ou do petróleo.

Talvez mais importante que as conquistas nacionais de Meles tenha sido o seu historial diplomático. Foi um aliado indispensável do Ocidente na luta contra o terrorismo islâmico, culminando na operação militar da Etiópia na vizinha Somália em 2006. Mais recentemente, Meles coordenou esforços com o Quénia para lançar ataques limitados contra a milícia al-Shabaab, que tem levado a cabo uma guerra implacável para transformar a Somália numa teocracia islâmica fundamentalista.

Ao mesmo tempo, Meles cortejou a China simultaneamente como investidora e como uma protecção contra as críticas ocidentais em matéria de direitos humanos. E, contudo, controversa mas justamente estendeu uma mão amiga à região rebelde da Somalilândia, antes de isso se tornar moda, e fez tudo o que podia até ao re-reconhecimento formal desse raio de esperança democrática no Corno de África. A falta de Meles será bastante sentida em Hargeisa, já que planeava instalar uma conduta de gás financiada pela China através de território da Somalilândia de Ogaden até à costa.

Mais importante, Meles colocou Adis Abeba no mapa como sede da União Africana, e como uma capital onde os piores problemas da África podiam ser discutidos de um modo pragmático, sem o fardo dos ressentimentos coloniais. O próprio Meles se tornou um jogador diplomático importante, especialmente em políticas relativas a mudanças climáticas, e foi recentemente activo na mediação de disputas fronteiriças e de recursos naturais entre o Sudão e o recentemente independente (e rico em petróleo) Sudão do Sul. Será lembrado por aceitar a dolorosa secessão da Eritreia em 1993, em vez de prolongar a guerra civil, e pelos seus esforços em conseguir um acordo com o Egipto sobre a utilização das águas do Nilo Azul.

A grande mancha na reputação de Meles será sempre a sua intolerância à oposição. De facto, o seu registo de direitos humanos foi muito melhor que o do Derg. Por exemplo, permitiu que uma imprensa privada florescesse, e em 2000, tornou-se o primeiro líder etíope a organizar eleições parlamentares multipartidárias. Além disto, comparado com a vizinha Eritreia sob o Presidente Isaias Afewerki ou com o Sudão de Omar al-Bashir, o seu regime não era nem por sombras o pior infractor na região. Nem existiam muitas provas de enriquecimento pessoal ou de corrupção generalizada.

Não obstante, no rescaldo de uma eleição parlamentar violentamente contestada em 2005, onde participaram mais de 30 partidos, Meles demonstrou um desprezo aberto pelo pluralismo democrático e pela liberdade de imprensa, aprisionando vários jornalistas nos últimos anos. Ao mesmo tempo, impôs um controlo central cada vez mais rigoroso ao seu país, étnica e linguisticamente diversificado.Embora nominalmente governado pelo “federalismo étnico”, onde isso ameaçava secessão, como em Oromia ou no Ogaden, Meles foi rápido a ignorar o enquadramento constitucional. Embora tenha fortalecido a liberdade religiosa e a coexistência pacífica entre muçulmanos e cristãos, a situação dos direitos humanos na Etiópia permaneceu sofrível. Por exemplo, grupos como a Freedom House e a Human Rights Watch documentaram a repressão oficial generalizada sobre o povo Oromo.

E no entanto Meles é insubstituível – intelectualmente sem comparação como líder africano (abandonou o curso de Medicina, mas aprendeu um inglês impecável e obteve graus universitários europeus por correspondência), e politicamente sem comparação no seu país, sem um sucessor óbvio preparado para o substituir. No Corno de África, não há um líder da sua estatura que possa assegurar a estabilidade e o forte governo de que a região necessita tão desesperadamente.

Hailemariam Desalegn, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Meles, assegurará o governo da Etiópia. Mas existirá preocupação considerável no Ocidente quanto ao perigo de um vácuo de poder ou de lutas num país geopoliticamente vital mas instável – e logo quando se espera que a vizinha Somália se submeta a uma transição para um novo parlamento e um novo governo eleito.

Tanto aos seus admiradores como aos seus críticos, Meles deixa um potente legado político. Será lembrado como um líder africano de importante significado histórico: visionário, despótico e indispensável.

Traduzido do inglês por António Chagas/Project Syndicate

Putin Condena José Eduardo dos Santos

Lisboa - O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, condecorou o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, com a Ordem de Honra, importante condecoração russa.


Fonte: JN.pt

"Condecorar com a Ordem de Honra José Eduardo dos Santos pelo grande contributo dado ao desenvolvimento das relações entre a Rússia e a República de Angola", lê-se no decreto assinado pelo dirigente russo na segunda-feira.

O decreto, publicado esta terça-feira na página oficial da Presidência da Rússia, foi assinado logo após ter sido anunciada a vitória do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) nas eleições angolanas, que permite a José Eduardo dos Santos continuar a ocupar o cargo de Presidente de Angola durante mais cinco anos.


Em 2006, o mesmo Presidente Vladimir Putin já havia condecorado o seu homólogo angolano com a Ordem da Amizade.


Segundo os últimos resultados provisórios divulgados na segunda-feira pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola, quando faltava contar cerca de cinco por cento dos votos, o MPLA obteve 71,96% por cento, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) ficou em segundo lugar, com 18,59%, e a Convergência Ampla de Salvação Nacional - Coligação Eleitoral (CASA-CE) em terceiro, com 6,01% dos votos

CASA-CE garante que faltam 30 mil votos em Launda

 
Luanda - A Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) disse hoje que os resultados preliminares das eleições gerais de sexta-feira em Angola omitem 30 mil votos para esta formação na província de Luanda.

Fonte: Lusa

Lindo Bernardo Tito, um dos vice-presidentes e porta-voz da CASA-CE, informou que a comissão especial criada por esta nova coligação angolana encontrou dados "não coincidentes" entre os resultados preliminares, anunciados no domingo à noite pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), e as atas das mesas de voto.

"Estamos a falar de algo em grande escala", afirmou o dirigente da CASA-CE, adiantando que a comissão técnica da coligação para análise dos resultados detetou pelo menos 30 mil votos nas atas das mesas de voto que não constam nos dados da CNE. "Dava para eleger um deputado pelo círculo nacional", assinalou.

O responsável da coligação criada em abril por Abel Chivukuvuku, dissidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), adiantou que a comissão técnica está ainda a processar os dados, tendo finalizado cerca de 80 por cento do trabalho na província de Luanda e menos nas restantes províncias.

A CASA-CE, segundo Lindo Bernardo Tito, prevê ter este trabalho terminado na terça-feira e, em função das conclusões que retirar, tomará uma posição ainda no mesmo dia.

No mesmo sentido, a UNITA e o Partido de Renovação Social (PRS) também estão a proceder a contagens paralelas, comparando os dados das atas das mesas de voto com aqueles que foram divulgados pela CNE.

"No geral, a UNITA manifesta a sua preocupação com a discrepância notória entre o número de eleitores registados e o número de votantes confirmados, até à presente data da divulgação dos resultados provisórios, que não podem caber na única designação de abstenção", salientou hoje em comunicado o maior partido de oposição, que espera fazer um pronunciamento "a seu tempo".

O PRS também encontrou discrepâncias entre as suas atas e os resultados da CNE, disse hoje Benedito Daniel, secretário-geral do partido que era, até este escrutínio, a terceira maior força angolana, remetendo uma posição final para depois da divulgação dos resultados definitivos da votação.

O MPLA ganhou as eleições gerais em Angola com mais de dois terços dos votos, segundo o último balanço da CNE, hoje à tarde, quando faltavam escrutinar 5 por cento dos votos.

Em segundo lugar, nos totais nacionais, seguia a UNITA com 18,59 por cento, em terceiro a CASA-CE, com 6,01 por cento e em terceiro o PRS com1,7 por cento.

À luz da Constituição angolana, aprovada em 2010, José Eduardo dos Santos foi eleito indiretamente Presidente de Angola, na qualidade de número um da lista do MPLA, obtendo pela primeira vez, em mais de três décadas, a legitimidade num processo eleitoral completo para exercer o cargo.
CASA-CE  diz que faltam 30 mil votos em Luanda

9.03.2012

MPLA continua a consolidar vitória, liderando os resultados provisórios com 71,96% dos votos


Luanda - O MPLA consolida a vitória nas Eleições Gerais, com 3.948.230 dos votos, equivalentes a 71,96 %, segundo os resultados provisórios divulgados às 13h35 desta segunda-feira, 3 de Setembro, pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
 
Eis os resultados provisórios, por ordem decrescente:

Partidos/Coligações

MPLA ………..3.948.230…71,96 %

UNITA………..1.020.314…18,59 %

CASA-CE…… 330.214… 6,01%

PRS ……….. .. 93698……. 1,70%

FNLA……….. 59554 …….. 1,08%

ND …………..12.293 …….. 0,22%

PAPOD ………8.040 ……… 0,14%

FUMA……….. 7.615 ……… 0,13%

CPO ……….. 6.190………. 0,11 %

Total de eleitores inscritos 9.757.671




Mesas 25.359



Mesas Escrutinadas 24027 94,75%



Os próximos resultados serão anunciados às 20h30 desta segunda-feira, 3 de Setembro.

Quem foi Nito Alves

Nito Alves, Antigo Ministro da Administração Interna


Luanda - Com base na obra de Nito Alves, ”Memória da Longa Resistência Popular”, editada pela África Editora em 1976, procura-se traçar aqui o perfil do Guerrilheiro, do Poeta e sobretudo do Revolucionário.

Fonte: 27maio.org

Acreditando que a Revolução podia ser comparada a uma monstruosa elevação feita de vertentes escarpadas e difíceis de transpor e que só os fortes e persistentes a poderiam escalar, Nito Alves, fiel ao heróico Povo Angolano, aos guerrilheiros e a todos os colegas de armas e sofrimento, abatidos durante a guerra, seguiu o seu exemplo até às últimas consequências possíveis da sua opção política.
A 23 de Julho de 1945, na aldeia do Piri, concelho dos Dembos (actual província do Kuanza Norte ) nasceu em Angola, Alves Bernardo Baptista, filho de Bernardo Baptista Panzo e de Maria João Paulo.
Teve uma infância e adolescência, profundamente marcadas pela agressão e hostilidades permanentes de condicionalismos sociais e políticos que o rodeavam e comprimiam, frutos malditos do colonialismo opressor que mantinha ferozmente dominada a sua pátria e o seu povo.
Falando um dia de si afirmou:«A minha infância é comum à de todas as crianças na minha dura condição de jovem, numa aldeia sem luz eléctrica, nem água canalizada, nem um mínimo de requisitos».
«A minha instrução primária foi toda ela feita na Escola Rural da Missão Evangélica do piri.»
«Tinha eu treze anos de idade, quando comecei a sentir em mim um sentimento de revolta consciente contra o colono e que hoje explico fundamentalmente por quatro fenómenos que recordo com nitidez, pois marcaram-me profundamente:»
E que acontecimentos influenciaram então decisivamente este jovem de 13 anos.
O facto de um Missionário protestante, obrigar os alunos a ir nas férias para a roça dos colonos colher café.
O cenário de sangue que frequentemente se desenrolava ante os seus olhos em que mulheres e
homens-contratados eram forçados a colher café nas plantações cafeícolas da então Sousa Leal, do alemão Kay.
O da visão que este jovem tinha do drama do ajudante negro que passava em cima da camioneta do colono, sempre de cabelo enevoado de poeira.
O facto de ter sido reprovado no exame da terceira classe e de ouvir a justificação do padre católico que presidia ao júri: «ele sabe aritmética, fez bom ditado, boa cópia, um desenho regular, mas tem de reprovar porque é protestante e não sabe a Ave-Maria!»

«Concluída a instrução primária em 1960, parte para Luanda onde seu pai conseguiu matriculá-lo…Ganha uma bolsa de estudo e parte para o Quéssua, Malange, onde faz o segundo ano liceal. Regressado a Luanda, frequenta o Colégio da Casa das Beiras…»
Nito Alves nunca esqueceu a Directora daquele Colégio, Olívia de Oliveira Martins Conde, que terá contribuído decisivamente para que ele terminasse o 2º ano do ensino liceal.

«Em 1966 começa a trabalhar na Direcção Geral da Fazenda e Contabilidade, em Luanda, tentando simultaneamente prosseguir os estudos, no curso nocturno do 6º ano do então chamado Liceu salvador Correia. Entretanto, vinha desenvolvendo desde 1965 intensas actividades políticas clandestinas que acabaram por o tornar alvo das atenções da PIDE.
Muitos dos seus camaradas são presos e enviados para o terrível campo de S. Nicolau. Nito Alves, porém, no próprio dia em que iria ser preso (6 de Outubro de 1966), consegue escapar-se às garras daquela sinistra polícia.»

«Alves Bernardo Baptista e Lima Pombalino Martins (Tadeu )…,chegam à Primeira Região Político Militar do MPLA no dia 9 de Outubro de 1966»
«Sob o comando de um então já bem conhecido comandante militar, Jacob Alves Caetano, cuja lenda corre todo o norte de Angola como o grande Comandante Monstro Imortal…, instala-se na área do esquadrão Cienfuegos e anima-se toda a região.»

«Intenso e duro treino de guerrilhas aguarda o jovem Alves Bernardo Baptista: todo o ano de 1967 é o teste de sangue e fogo em que presta brilhantes provas. Em 1968 com a chegada de parte dos sobreviventes do Esquadrão Kamy, Nito Alves é chamado para a direcção do CIR. Até 1971 mergulha a fundo no estudo do Marxismo-Leninismo, como autodidacta que a própria luta quotidiana vai caldeando em permanente apuramento.»
«O ano de 1973 findava carregado e negro de perspectivas para os homens da Primeira Região. O cerco de ferro e de fogo do colonialismo agónico, apertava-se sobre a Primeira Região Militar», e foi contado assim:

«Guerra sem frente, nem retaguarda / «faltaram as munições» / «Vieram os “Flechas”», os “G.es” e “T.es” / «fizeram tiros na noite e na madrugada/ e mataram, mataram, assassinaram, assassinaram». E «vieram as doenças inimagináveis» e o monstro da fome com o seu cortejo de mortes». Porém, «O Povo não se rendeu». Na Primeira Região Militar de Angola, no mais aceso e desesperado cerco de ferro e fogo que o colonialismo cada vez mais ia apertando, «esgotaram-se todas as leis da guerrilha e toda a inteligência militar», reúnem-se os responsáveis político militares …
Nestes excertos do seu livro, faz-se referência a um dos momentos mais decisivos da luta da 1ª Região Político Militar. Esse momento em, que reunidos os mais velhos, se encarou a hipótese de parar a luta pelas dificuldades inultrapassáveis face à pressão do exército colonial, da FNLA e ao isolamento a que esta região militar estava votada pela impossibilidade de receber apoios da Direcção do MPLA no exterior. No entanto, esse isolamento era também na altura a realidade de todo o MPLA, que esteve mesmo em vias de ser esmagado no exterior de Angola, pela pressão de muitos estados Africanos contra a direcção de Agostinho Neto.

Nito Alves teve neste contexto, em meados de Janeiro de 1974, um papel decisivo quando foi designado pelos mais velhos para ir a Luanda clandestinamente em busca de apoios e para estudar hipóteses de lançar a guerrilha urbana. Fê-lo juntamente com o seu velho companheiro de aventura e guerrilha o camarada Adão. Sabe-se que muitas portas se lhes fecharam quando se anunciaram aos contactos de ligação que existiam. Ficaram por se saber alguns desses nomes que bateram as portas, no entanto dois nomes ficaram na história de um encontro, o de Albertino Almeida e do Dr. Macmahon Vitória Pereira. Estes receberam e apoiaram Nito Alves que no seu regresso levou à 1ª Região as boas novas que por lá soaram como um sopro de esperança de uma reviravolta eminente em Portugal. Cerrou-se então fileiras entre os combatentes para resistir por todos os meios ao desânimo que se apoderava de todos.

Nito Alves regressa a Luanda em Maio de 1974, depois do 25 de Abril em Portugal. Os contactos com Zé Van-Dunem,Valentin, Betinho e outros nessa ocasião, preparam as condições para se deslocar a Brazzavile a um encontro em Agosto com o Presidente Dr. Agostinho Neto. Participa depois em representação da 1ª Região Político Militar no Congresso de Lusaka na Zâmbia aonde apoia Agostinho Neto contra as oposições internas da Revolta Activa e da revolta de Chipenda. Participa na Conferência Inter-Regional de Militantes nas chanas do Leste de Angola, logo depois do Congresso e da assinatura dos acordos de paz com o Exército Português.

Na CIRM de 1974, o também chamado congresso dos partidários de agostinho Neto, dá-se o encontro dos combatentes das matas vindos das várias regiões político militares com os do exílio e com os activistas das células clandestinas de Luanda. Nito Alves como representante da I Região Político Militar em estreita ligação com José Van Dunem dos comités clandestinos, tem ali um papel determinante na adesão da maioria dos dirigentes e chefes militares à liderança política de Agostinho Neto bem como da caução política que este recebe dos sectores simpatizantes dos centros urbanos . É eleito para membro do Comité Central entre os 34 militantes que sai da CIRM.

Nito Alves tem um papel importante no afluxo em massa de centenas de jovens citadinos aos CIR- Centros de Instrução Revolucionária a partir do mês de Setembro, destacando-se durante toda a segunda guerra de libertação nacional , contra as forças concertadas da África do Sul e do Zaire, que tentaram impedir a Independência de Angola a 11 de Novembro de 1975.
Grande mobilizador da massa militante do MPLA nas cidades, à frente do DOM Nacional (Departamento de Organização de Massas), homem com grande capacidade organizativa, dedicado às tarefas da revolução a cada momento, Nito Alves foi nomeado a 15 de Novembro de 1975 Ministro da Administração Interna da jovem República Popular de Angola. Nessas funções, dirigiu a organização Administrativa do país até à III reunião Plenária do Comité Central do MPLA em Outubro de 1976, implementando a Administração do território através da figura dos comissários provinciais. Foi ainda o obreiro da lei do poder popular, que criou ao nível local organismos de gestão dos problemas das populações.

Na III reunião plenária, em Outubro de 1976, Nito Alves é suspenso das funções que desempenhava no governo e no Movimento, juntamente com José Van Dunem a pretexto da acusação de terem sido protagonistas de um 2º MPLA. Estes dirigentes teriam segundo a versão oficial, de uma forma Fraccionista, reunido numa estrutura paralela grande parte da massa militante do MPLA. Estes dois dirigentes ficaram suspensos das suas funções durante um período de mais de 6 meses, aguardando as conclusões de uma suposta comissão de inquérito que apenas os ouviu em Fevereiro de 1977. Acabaram por ser expulsos do MPLA a 21 de Maio de 1977, numa reunião magna de militantes, convocada pela direcção, presidida por Agostinho Neto e realizada na cidadela em Luanda.

Vendo-lhe negado o direito à defesa e sujeito a toda uma campanha de calúnias e ataques pessoais públicos, conduzidos pelo único órgão de imprensa existente, o Jornal de Angola, dirigido por Costa Andrade, N`Dunduma, Nito Alves acabou por ser condenado antes mesmo de ser ouvido. Em legítima defesa, escreveu então as famosas “13 Teses da minha defesa “, com o intuito de dar a conhecer aos restantes membros do MPLA, bem como às organizações de massas e regionais as razões do seu afastamento.
Tal documento, ao ser divulgado indiscriminadamente, deu origem ao aumento da repressão sobre a massa militante , tendo na altura muitos deles sido conduzidos às cadeias, apenas pelo simples facto de as terem lido ou de a elas se referirem.
Nos seis dias posteriores a 21 de Maio, Nito Alves terá então encabeçado um movimento de contestação aberto às medidas repressivas da direcção do MPLA, em particular em Luanda, que não tendo as características de um golpe de estado , que lhe atribuíram, teve contudo o apoio dos sectores militares determinantes.
Estes acontecimentos terminaram a 27 de Maio de 1977, com a intervenção do exército cubano, em defesa da ala de Agostinho Neto. Não se sabe até hoje se Neto terá sido o principal mentor da acção repressiva que se seguiu ao dia 27 de Maio, ou se manietado por uma outra força mais poderosa e sombria, ficou prisioneiro das sua opções de momento ao apoiar a minoria contra a massa de militantes contestatários.
No rescaldo dos dias posteriores ao chamado “ Golpe de Estado “, Nito Alves terá fugido para a sua região de origem, a célebre I Região Político Militar do MPLA, aonde acabou por ser apresentado à televisão como supostamente capturado pelas populações locais.
A confirmar-se a hipótese de ter sido feita uma montagem da sua captura, tal confirmaria a hipótese apontada por muitos de se ter ele próprio vindo entregar a Luanda a fim de evitar mais mortes. Sabe-se também que depois de preso, foi selvaticamente torturado e humilhado. Recentemente, houve o testemunho de um militar de nome João Kandada, a residir em Espanha, que assumiu o ónus de o ter fuzilado sob ordens de Iko, Onambwe e Carlos Jorge, estando ainda a assistir Ludy Kissassunda Veloso e outros. Este confesso assassino diz ter cometido tal crime a mando da chefia da DISA, reconhecendo ainda que corpo do lendário comandante da I Região Político Militar, foi posteriormente atirado ao mar com pesos para se afundar.
Confessou também na mesma entrevista, publicada no jornal “folha 8” de 26 de Maio de 2001, que a célebre ambulância com os heróis carbonizados, teria feito parte do plano para diabolizar os apoiantes de Nito Alves tendo sido o mesmo concebido e executado por pessoas da DISA.
O mistério da sua morte, obscurece-se com o passar dos anos, em que os dirigentes ainda vivos, silenciando as suas vozes se mostraram até agora incapazes de confessar os hediondos crimes, pretendendo ocultar às gerações futuras factos históricos relevantes da Nação Angolana. Sabe-se também, que a título póstumo, Nito Alves terá recentemente sido promovido de Major a Brigadeiro.
Nito Alves disse um dia: « Os que fazem a História nem sempre podem escrevê-la»