9.12.2012

Deputado do MPLA e General Fantasma

Os antigos combatentes da província da Huíla continuam a manifestar o seu descontentamento pela forma como o mais alto comando das Forças Armadas Angolanas (FAA) tem promovido algumas figuras locais, entre empresários e políticos, ao generalato.

Fonte: MaKa Angola

Uma dessas figuras é o actual deputado e primeiro secretário do MPLA na Huíla, João Marcelino Tyipinge. O referido político está inscrito na Caixa Social das FAA, com a patente de tenente-general, recebendo um subsídio equivalente a cerca de US $3,000 mensais. Como deputado, João Marcelino Tyipinge aufere o equivalente a US $15,000 mensais, incluindo subsídios.

“Nunca vi o Tyipinge a envergar a farda das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Eu e ele lutámos pelo exército português e, depois da independência, trabalhámos juntos na alfabetização, na secção de ensino de adultos na escola do partido [MPLA]”, confidenciou um antigo colega seu sob anonimato.

O perfil do deputado, no sítio da Assembleia Nacional, não inclui qualquer passagem pelo exército, português ou angolano. Os dados biográficos do deputado indicam que, de 1972 a 1986, foi “funcionário público do Ministério da Educação”; de 1982 a 1986, “quadro do partido na Huíla” e, desde então, secretário nas mais diversas funções, no secretariado do MPLA na Huíla.

O presidente do Fórum Independente dos Desmobilizados de Guerra, coronel Nunes Manuel, disse ao Maka Angola ter conhecimento sobre a promoção partidária de João Marcelino Tyipinge ao grau de tenente-general. “Esse facto deixa muitos companheiros nossos entristecidos pois muitos deram a vida à causa do país e não são valorizados. É muito triste”, disse o coronel na reserva.

Por sua vez, o empresário e membro do Comité Central do MPLA, Tulumba Kaposse, ostenta a patente de coronel sem ter cumprido serviço militar, com direito a pagamento mensal pela Caixa Social das FAA. Em 2008, os militantes do MPLA chumbaram a sua candidatura ao Comité Central, assim como a do empresário e tenente-general fantasma Luís da Fonseca Nunes. No entanto, ambos acabaram por ascender aos altos escalões do MPLA por via do tráfico de influências em Luanda.

 

9.11.2012

Morro a cheirar um jornal - Aguiar dos Santos

Luanda - O Agora comemorou, no pretérito dia 17 de Janeiro, faz hoje uma semana, 12 anos de vida. Como soe dizer-se não é pouca tripa, para mais no contexto adverso em que surgimos. Sou um homem da comunicação social, concretamente da imprensa, de jornais, independentemente da sua periodicidade.

Fonte: Jornal Agora


Por não se dever cuspir no prato onde já tomámos a sopa, confesso que a minha escola jornalística foi a Angop onde me guindei a chefe da divisão nacional, responsável, digamos assim, pela política do país
Na Angop emprestei o meu saber - ai que saudades do grupo da Jugoslávia - e experiência na formação de jovens da época, assumindo posteriormente a minha trajectória profissional outros rumos e destinos.
Nesta minha vida feita de boemias e de (des)caminhos ínvios e padrastos, de andarilho por vezes sem destino, o jornalismo tinha, necessariamente, de se atravessar na minha vida.
Deste modo, acabei por liderar um projecto que pariu a 17 de Janeiro de 1997, o semanário AGORA. 12 anos volvidos a odisseia valeu a pena. Modéstia à parte e por mérito próprio o nosso nome já não se pode apagar da imprensa privada surgida depois da abertura democrática encetada a partir de 1991. Foram (são) 12 anos de muita labuta, porrada, sacrifício e coragem. Mas valeu a pena. Por isso mesmo gostaria de morrer num dia em que o AGORA já estivesse impresso e ser enterrado com o cheiro da tinta do jornal nos meus beiços.
Esta prosa avulsa, inusitada e existencial nada tem a ver com o canto antecipado do cisne. Mas não sei se é sina ou destino, se é que ele existe, presumo, persinto, que a minha urna estará coberta de papel impresso com o cheiro da tinta de impressão de um jornal!
*Texto publicado a 24 de Janeiro de 2009. Em homenagem, à título póstumo, a Aguiar dos Santos cujo corpo repousa, desde ontem, no cemitério do Altos das Cruzes, em Luanda.

“Tivemos mais votos do que os anunciados pela CNE” - CASA-CE

O vice – presidente da CASA-CE, Alexandre Sebastião André disse ontem, em Luanda que a sua organização conseguiu mais votos do que os anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Lac

“Nós trabalharmos e pelos nossos cálculos, nós CASA-CE, conseguimos mais do que aqueles anunciados”, disse o político.
Em entrevista à Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), Alexandre Sebastião André fez saber que CASA – CE é coligação composta por formações políticas credíveis e com muitos militantes.
“Deixa-me só dizer que antes da apresentação formal, a CASA-CE já tinha meio caminho andado. Portanto, não é o que muitos dizem que a CASA – CE só tem 2 meses, isto é falso”, disse.
Recorde-se que segundo partido mais votado foi a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que elegeu 32 deputados, seguindo-se a Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE) com oito deputados, o Partido da Renovação Social com três e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) com os restantes dois.

Samakuva pronuncia-se sobre o pleito de 31 de Agosto último

O presidente da UNITA Isaías Samakuva vai esta Terça-feira, 11/09, em Luanda fazer um pronunciamento, dando conta do seu posicionamento sobre as eleições gerais de 31 de Agosto último.

Fonte: Rádio Despertar
Segundo à Rádio “Despertar”, emissora afecta a UNITA, Isaías Samakuva no pronunciamento oficial, o líder do “Galo Negro” apresentará também os números de votos contabilizados pela UNITA, em paralelo aos resultados publicados pela CNE, na sexta-feira (dia sete).

De acordo com os dados definitivos divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral, a UNITA classificou-se na segunda posição com 1.074.565, o equivalente a 18,66 porcento dos votos validados, o que lhe mereceu constituir um grupo parlamentar de 32 deputados.

9.07.2012

O principal adversário da UNITA é a sua direcção- Féliz Abias

Eu me explico. Desde o primeiro congresso – pós guerra - que as coisas não correm bem entre os que ganham e os que perdem, o que demonstra falta de um líder capaz de congregar várias franjas ou alas.

Fonte: Fecebook

A UNITA até teve a sorte de produzir um Abel Chivukuvuku que, quanto a mim, é o mais carismático líder que existe na nossa oposição, uma espécie rara, infelizmente para a UNITA, não houve capacidade para aconselha-lo porque parece também que falta um pouco de humildade (porque não somos humildes) por parte das pessoas de dizerem que o fulano ou sicrano reúne mais consenso e deve avançar como cabeça de lista. O estômago continua ainda a falar mais alto. E, indo ao debate proposto pelo kota Celso Malavolonek, devo dizer que com Abel Chivukuvuku como cabeça de lista da UNITA, teríamos de facto uma UNITA mais próxima do nível do MPLA, o que deixaria mesmo dúvida em relação ao desfecho das eleições, e não o que aconteceu, onde todos nós, pelo menos os apartidários, já sabíamos que o maioritário iria dar goleada, apesar da ajuda de que beneficiou dos órgãos como TPA, RNA e Jornal de Angola, das igrejas, dos empresários, enfim, de quase todos que têm capacidade de influenciar as massas.


Félix Abias

Jornalista do semanário Angolense.

9.05.2012

Oposição lidera controlo das eleições gerais em Luanda

Lunada - Na maior praça eleitoral do país, o partido maioritário teve baixa no controlo das eleições por parte dos delegados de listas credenciados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Fonte: Mugimbu Angola

Num total de 22.470 delegados de listas credenciados para a fiscalização do processo eleitoral de 31 de Agosto último, em Luanda, 12.466 foram da oposição.
O partido maioritário teve na sua cota parte um total de 10.004 delegados distribuídos nos vários municípios, distritos, bairros e escolas selecionadas para local de voto.
A diferença que separa o partido no poder em relação a oposição é de 2.462, o que indica que para a cidade capital os controlo do processo foi maior.
“Não haverá dúvidas que os valores que a oposição alega existir nas suas actas eleitorais podem ser justificativos, de acordo a grade participação destes delegados nas assembleias de voto”, frisou um delegado de lista, Luciano Rafael acrescentando que “na minha modesta opinião e como não podia deixar de ser, deveria haver mais transparência por parte da CNE nos resultados apresentados até ao momento para a província de Luanda”.
Por exemplo, no Cazenga, Cacuaco e Viana, as formações como a UNITA e a CASA-CE estavam bem representados em quase todas as assembleias de votos, ao contrário das famosas assembleias fantasmas que terão existido simplesmente da responsabilidade de quem está habituado a liderar as maiorias esmagadoras.
Os angolanos foram completamente surpreendido quando os números de votos para Luanda não correspondiam aquilo que consideramos em política, como equilíbrio parlamentar, pois vimos, com os nossos próprios olhos, os cidadãos da cidade capital a serem um pouco mais conscientes em relação o ano de 2008, que estava ainda fora da realidade da governação do MPLA.
 

9.04.2012

O ditador-diplomata de África

                                                       
Lisboa-A morte recente em Bruxelas do primeiro-ministro etíope Meles Zenawi trouxe finalmente a lume a razão do seu misterioso desaparecimento da vida pública durante dois meses. O governo da Etiópia negara exaustivamente rumores de problemas sérios de saúde causados por cancro do fígado. Agora que o pior, infelizmente, se verificou, a Etiópia e toda a África Oriental precisarão de aprender a viver sem a influência estabilizadora do seu grande ditador-diplomata.

Fonte: O Publico.pt

Meles foi certamente as duas coisas. A Etiópia sofreu uma transformação notável sob a sua liderança forte desde 1991, quanto o seu grupo de minoria tigré do norte do país chegou ao poder depois de derrubar o odioso Derg comunista liderado por Mengistu Haile Mariam (ainda confortavelmente aposentado no Zimbabwe de Robert Mugabe).

Servindo inicialmente como presidente do primeiro governo pós-Derg, e depois como primeiro-ministro da Etiópia de 1995 até à sua morte, Meles (o seu nom de guerre na revolução) supervisionou um crescimento anual do PIB de 7,7% em anos recentes. O bom desempenho económico é algo surpreendente, dada a abordagem politicamente intervencionista do seu partido, mas Meles mostrou ser um pragmatista consumado quanto à atracção de investimento – especialmente proveniente da China – para sustentar o crescimento.

A própria proveniência política de Meles enquanto líder da Frente de Libertação do Povo do Tigré era marxista-leninista. Mas, quando a Guerra Fria terminou, assim, também, aconteceu ao seu dogmatismo. Honra lhe seja feita, a mortalidade infantil foi reduzida em 40% sob o seu governo; a economia da Etiópia tornou-se mais diversificada, com novas indústrias como fabrico de automóveis, bebidas e floricultura; e importantes projectos de infra-estruturas, como a maior barragem hidroeléctrica de África, foram lançados. Outrora um caso perdido associado aos olhos do mundo apenas com fome e seca, a Etiópia tornou-se uma das maiores economias de África – e sem o benefício do ouro ou do petróleo.

Talvez mais importante que as conquistas nacionais de Meles tenha sido o seu historial diplomático. Foi um aliado indispensável do Ocidente na luta contra o terrorismo islâmico, culminando na operação militar da Etiópia na vizinha Somália em 2006. Mais recentemente, Meles coordenou esforços com o Quénia para lançar ataques limitados contra a milícia al-Shabaab, que tem levado a cabo uma guerra implacável para transformar a Somália numa teocracia islâmica fundamentalista.

Ao mesmo tempo, Meles cortejou a China simultaneamente como investidora e como uma protecção contra as críticas ocidentais em matéria de direitos humanos. E, contudo, controversa mas justamente estendeu uma mão amiga à região rebelde da Somalilândia, antes de isso se tornar moda, e fez tudo o que podia até ao re-reconhecimento formal desse raio de esperança democrática no Corno de África. A falta de Meles será bastante sentida em Hargeisa, já que planeava instalar uma conduta de gás financiada pela China através de território da Somalilândia de Ogaden até à costa.

Mais importante, Meles colocou Adis Abeba no mapa como sede da União Africana, e como uma capital onde os piores problemas da África podiam ser discutidos de um modo pragmático, sem o fardo dos ressentimentos coloniais. O próprio Meles se tornou um jogador diplomático importante, especialmente em políticas relativas a mudanças climáticas, e foi recentemente activo na mediação de disputas fronteiriças e de recursos naturais entre o Sudão e o recentemente independente (e rico em petróleo) Sudão do Sul. Será lembrado por aceitar a dolorosa secessão da Eritreia em 1993, em vez de prolongar a guerra civil, e pelos seus esforços em conseguir um acordo com o Egipto sobre a utilização das águas do Nilo Azul.

A grande mancha na reputação de Meles será sempre a sua intolerância à oposição. De facto, o seu registo de direitos humanos foi muito melhor que o do Derg. Por exemplo, permitiu que uma imprensa privada florescesse, e em 2000, tornou-se o primeiro líder etíope a organizar eleições parlamentares multipartidárias. Além disto, comparado com a vizinha Eritreia sob o Presidente Isaias Afewerki ou com o Sudão de Omar al-Bashir, o seu regime não era nem por sombras o pior infractor na região. Nem existiam muitas provas de enriquecimento pessoal ou de corrupção generalizada.

Não obstante, no rescaldo de uma eleição parlamentar violentamente contestada em 2005, onde participaram mais de 30 partidos, Meles demonstrou um desprezo aberto pelo pluralismo democrático e pela liberdade de imprensa, aprisionando vários jornalistas nos últimos anos. Ao mesmo tempo, impôs um controlo central cada vez mais rigoroso ao seu país, étnica e linguisticamente diversificado.Embora nominalmente governado pelo “federalismo étnico”, onde isso ameaçava secessão, como em Oromia ou no Ogaden, Meles foi rápido a ignorar o enquadramento constitucional. Embora tenha fortalecido a liberdade religiosa e a coexistência pacífica entre muçulmanos e cristãos, a situação dos direitos humanos na Etiópia permaneceu sofrível. Por exemplo, grupos como a Freedom House e a Human Rights Watch documentaram a repressão oficial generalizada sobre o povo Oromo.

E no entanto Meles é insubstituível – intelectualmente sem comparação como líder africano (abandonou o curso de Medicina, mas aprendeu um inglês impecável e obteve graus universitários europeus por correspondência), e politicamente sem comparação no seu país, sem um sucessor óbvio preparado para o substituir. No Corno de África, não há um líder da sua estatura que possa assegurar a estabilidade e o forte governo de que a região necessita tão desesperadamente.

Hailemariam Desalegn, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Meles, assegurará o governo da Etiópia. Mas existirá preocupação considerável no Ocidente quanto ao perigo de um vácuo de poder ou de lutas num país geopoliticamente vital mas instável – e logo quando se espera que a vizinha Somália se submeta a uma transição para um novo parlamento e um novo governo eleito.

Tanto aos seus admiradores como aos seus críticos, Meles deixa um potente legado político. Será lembrado como um líder africano de importante significado histórico: visionário, despótico e indispensável.

Traduzido do inglês por António Chagas/Project Syndicate